12 não conformidades mais comuns em avaliações da 17025

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Depois de acompanhar dezenas de ciclos de avaliação em laboratórios ambientais, físico-químicos e de calibração, uma coisa fica clara: as não conformidades mais graves quase nunca vêm de falta de conhecimento técnico. Vêm de rotina — de um controle que existia no papel, mas que na prática não sobreviveu ao dia a dia da bancada. Este artigo reúne as não conformidades mais recorrentes em avaliações da ISO/IEC 17025, organizadas por origem, para que você consiga revisar seu próprio sistema de gestão antes que um avaliador o faça por você.

Não é uma lista de "regras da norma" — é um retrato do que efetivamente costuma pegar laboratórios de surpresa, e do que fazer para evitar cada uma.

Não conformidades ligadas a pessoal e competência

1. Registro de treinamento sem evidência de eficácia

Muito laboratório documenta que o treinamento aconteceu, mas não avalia se ele funcionou. Um certificado de curso não comprova competência para executar um método específico. A matriz de competências do laboratório precisa relacionar cada pessoa a cada atividade que ela está autorizada a executar, com evidência de avaliação prática.

2. Analista realizando ensaio fora da sua autorização registrada

Acontece com frequência em época de férias ou licença: alguém "cobre" um colega em um ensaio para o qual nunca foi formalmente autorizado. Tecnicamente pode até estar apto, mas sem o registro formal isso é uma não conformidade direta.

Não conformidades ligadas a equipamentos

3. Calibração vencida ou fora do intervalo definido

O clássico dos clássicos. Geralmente não é falta de verba, é falta de sistema de alerta antecipado dentro da gestão de equipamentos do laboratório.

4. Ausência de verificação intermediária entre calibrações

Ter certificado de calibração válido não significa que o equipamento se manteve estável o ano inteiro. A norma espera verificações intermediárias para equipamentos críticos, especialmente balanças, pipetas e padrões de referência.

5. Rastreabilidade metrológica incompleta na cadeia de calibração

Um certificado de calibração que não demonstra rastreabilidade metrológica a um padrão nacional ou internacional reconhecido é frequentemente questionado pelos avaliadores.

Não conformidades ligadas a métodos e validação

6. Método validado, mas sem evidência de verificação periódica de desempenho

Validar um método uma vez não é suficiente — é preciso manter evidência de que ele continua performando dentro dos parâmetros validados, especialmente após troca de lote de reagente, manutenção de equipamento ou troca de analista principal.

7. Incerteza de medição estimada de forma genérica, sem base técnica

Copiar um valor de incerteza de um método "parecido" sem cálculo próprio para as condições reais do laboratório é uma das não conformidades mais citadas em ensaios físico-químicos e ambientais.

8. Ausência de regra de decisão documentada em declarações de conformidade

Laudos que dizem "aprovado" ou "reprovado" sem explicar qual critério foi usado diante da incerteza de medição. Este tema merece leitura própria em regra de decisão e declaração de conformidade.

Não conformidades ligadas a amostras e cadeia de custódia

9. Falha na cadeia de custódia de amostras ambientais

Registro incompleto de quem coletou, quem transportou, em que condição a amostra chegou e quem a recebeu no laboratório. Em ensaios ambientais isso é especialmente sensível porque pode invalidar juridicamente um resultado. Veja mais em cadeia de custódia de amostras.

10. Condições de armazenamento de amostra fora do especificado

Amostra que deveria ser refrigerada e ficou em temperatura ambiente por horas antes do ensaio, sem qualquer registro do desvio. Está diretamente ligado à disciplina de gestão de amostras do laboratório.

Não conformidades ligadas a documentação e registros

11. Documento obsoleto ainda em uso na bancada

Alguém imprimiu o procedimento há dois anos e nunca atualizou a cópia física, enquanto o sistema já está na versão seguinte. É um dos achados mais simples de detectar em auditoria e, por isso mesmo, um dos mais recorrentes. O tema é tratado com mais detalhe em controle de documentos e registros.

12. Ação corretiva registrada, mas sem análise de causa raiz

Fechar uma não conformidade "trocando o reagente" sem investigar por que aquele desvio aconteceu é ação corretiva de fachada — tende a se repetir. Ferramentas estruturadas de análise de causa raiz resolvem esse ponto de forma consistente.

Como usar esta lista na prática

O valor real dessa lista não está em decorar os doze itens, mas em usá-la como checklist de autoavaliação antes da próxima auditoria interna. Vale reservar um tempo com a equipe técnica, revisar cada item contra a realidade do laboratório — não contra o que o procedimento diz que deveria acontecer — e abrir ação preventiva para os pontos que estão fracos antes que um avaliador externo os encontre primeiro.

Perguntas frequentes

Uma não conformidade em avaliação sempre gera suspensão de escopo?

Não. A maioria das não conformidades é classificada por gravidade e tratada com plano de ação corretiva dentro de um prazo definido pelo organismo acreditador. Suspensão costuma ocorrer em casos graves, recorrentes ou não tratados.

Quais dessas não conformidades são mais comuns em laboratórios ambientais especificamente?

Cadeia de custódia de amostras, condições de armazenamento e incerteza de medição costumam pesar mais em ensaios ambientais, dada a sensibilidade regulatória dos resultados.

Como saber se a análise de causa raiz de uma ação corretiva foi bem feita?

Um bom sinal é a ação corretiva atacar a causa sistêmica, não o sintoma pontual — e não se repetir para o mesmo tipo de desvio nos meses seguintes.

Vale a pena fazer uma auditoria interna simulando o roteiro de um avaliador do CGCRE?

Sim, é uma das práticas mais eficazes para reduzir surpresas, especialmente quando conduzida por alguém com visão crítica externa ao dia a dia da equipe.

Rastrear doze frentes diferentes de risco ao mesmo tempo, com evidência sempre atualizada, é exatamente o tipo de trabalho que consome a maior parte da rotina do responsável da qualidade. O Qualidade360 é um sistema de gestão da qualidade com inteligência artificial para laboratórios, feito para acompanhar esses pontos de forma contínua e reduzir a chance de eles virarem não conformidade em avaliação.

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